Emoções

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FREUD-Vol4 Interpretação dos Sonhos

Havelock Ellis (1899, 77); “As emoções profundas da vida de vigília, as questões e os problemas pelos quais difundimos nossa principal energia mental voluntária, não são os que se costumam apresentar de imediato à consciência onírica. No que diz respeito ao passado imediato, são basicamente as impressões corriqueiras, casuais e ‘esquecidas’ da vida cotidiana que reaparecem em nossos sonhos. As atividades psíquicas mais intensamente despertas são as que dormem mais profundamente.”.

Assim, Havelock Ellis (1899, 721), sem se deter no aparente absurdo dos sonhos, refere-se a eles como “um mundo arcaico de vastas emoções e pensamentos imperfeitos” cujo estudo talvez nos revele estágios primitivos da evolução da vida mental.

Ela mostra preferência pelo que é imoderado, exagerado e monstruoso. Mas, ao mesmo tempo, liberta dos entraves das categorias de pensamento, ela adquire maleabilidade, agilidade e versatilidade. É suscetível, da maneira mais sutil, às nuanças dos sentimentos de ternura e às emoções apaixonadas, e logo incorpora nossa vida interior em imagens plásticas externas. Nos sonhos, a imaginação se vê destituída do poder da linguagem conceitual. É obrigada a retratar o que tem a dizer de forma pictórica e, como não há conceitos que exerçam uma influência atenuante, faz pleno e poderoso uso da forma pictórica. Assim, por mais clara que seja sua linguagem, ela é difusa, desajeitada e canhestra.

E, afora esses sonhos, que levam para o sono as várias emoções penosas da vida, existem sonhos de angústia, em que o mais terrível de todos os sentimentos desprazerosos nos retém em suas garras até despertarmos. E as vítimas mais comuns desses sonhos de angústia são precisamente as crianças, cujos sonhos o senhor descreveu como indisfarçáveis realizações de desejos.”

O sonho

Tive um sonho muito claro. Eu fora ao laboratório de Brücke à noite e, em resposta a uma leve batida na porta, abrira-a para o  (falecido) Professor Fleischlque entrou com diversos estranhos e, após trocar algumas palavras, sentou-se à sua mesa. Isso foi seguido por um segundo sonho. Meu amigo Fl. [Fliess] tinha vindo discretamente a Viena em julho. Encontrei-o na rua, conversando com meu (falecido) amigo P., e fui com eles a algum lugar onde se sentaram um diante do outro, como seestivessem a uma pequena mesa. Sentei-me à cabeceira, em sua parte mais estreita. Fl. falou sobre sua irmã e disse que em três quartos de hora ela estava morta, acrescentando algo assim como “esse foi o limiar”. Como P. não conseguisse entendê-loFl. voltou-se para mim e me perguntou quanto eu havia falado com P. sobre suas coisas. Diante disso, dominado por estranhas emoções, tentei explicar a Fl. que P. (não podia entender coisa alguma, é claro, porque) não estava vivo. Mas o que realmente disse - e eu próprio notei o erro - foi “NON VIXIT”. Dirigi então a P. um olhar penetrante. Ante meu olhar fixo, ele empalideceu; e sua forma tornou-se indistinta e seus olhos adquiriram um tom azul doentio - e por fim, ele se dissolveu. Fiquei muito satisfeito com isso e compreendi então que Ernst Fleischl também não passara de uma aparição, um “revenant” [“fantasma” - literalmente, “aquele que retorna”]; e me pareceu perfeitamente possível que pessoas assim só existissem enquanto se quisesse, e que pudessem ser descartadas se outra pessoa o desejasse.

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